Janela do céu: Parque Estadual de Ibitipoca - MG - Tô Perambulando

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Janela do céu: Parque Estadual de Ibitipoca – MG

A trilha mais longa e mais bela do Parque.

Há muito tempo pretendíamos voltar a Conceição de Ibitipoca, para refazer a trilha da Janela do Céu e do Circuito das Águas, e fazer a trilha do Pico do Pião que não realizamos. Partimos em uma sexta-feira à tarde em dois carros em direção ao Parque Estadual de Ibitipoca, localizado na serra da Mantiqueira, entre o Rio de janeiro e Belo Horizonte, no Município de Lima Duarte.

Manhã de sábado, partimos cedo para a nossa primeira trilha, a da Janela do Céu, é o trekking mais longo e puxado do parque, pois são aproximadamente 16km incluindo ida e volta. Só que andamos mais que isto, pois voltamos pela trilha que dá acesso ao Pico do Pião. Após os procedimentos para entrada no parque, caminhamos até o Centro de Visitantes, onde um funcionário nos orientou como deveríamos fazer o roteiro.

Retornamos em direção a entrada do parque e iniciamos a trilha, enfrentando logo de cara uma subida bem longa e cansativa, apesar de não ser muito íngreme, onde observamos funcionários do parque catalogando algumas espécias da flora local. Depois disso a trilha variou entre algumas subidas e descidas, até chegar, após 3,5 Km ao Pico do Cruzeiro a 1.600 m de altura, onde existe uma cruz de madeira, que teria sido instalada na década de 1940.

Antigo ponto de peregrinação, hoje um belo mirante, na data de 3 de maio, Dia de Santa Cruz, a comunidade se reúne no Cruzeiro para rezar “o terço cantado”. De lá, avistamos grande parte do Parque, o Pico da Lombada e o Pico do Pião. Logo à frente, visitamos a Gruta da Cruz escondida entre algumas árvores de pequeno porte, bromélias, samambaias e liquens do tipo “barba-de-velho”, dependurados nas ramificações e galhos, cuja entrada se encontra numa pequena depressão do terreno, com cavidade de 50 m e 15 m de desnível, que também merece uma visita. Uma grande clarabóia ilumina seu salão principal.

Dois quilômetros de subida íngreme após esta parada nos presentearam com o ponto mais alto do Parque. A 1784m estávamos no Pico da Lombada, com uma visão de 360° que abrange o Pico do Pião, propriedades rurais, vilas e cidades do entorno, e grande parte da Serra da Mantiqueira.

Prosseguindo na trilha encontramos muitas outras atrações e histórias. Como a bela Gruta dos Moreiras, a pequena Gruta dos Fugitivos que tem todo seu percurso iluminado naturalmente, e que era usada como esconderijo para os escravos que fugiam dos engenhos nos séculos passados e a Gruta dos 3 Arcos, que tem este nome devido à existência de três aberturas, que permitem a entrada de luz, dispensando assim o uso de lanterna. Deste ponto seguimos ao encontro do nosso objetivo neste dia, onde depois de aproximadamente 9km de caminhada com subidas, descidas, grutas, cachoeiras e paisagens totalmente diferentes e deslumbrantes, chegamos a atração mais procurada pelos visitantes, a que dá o nome ao circuito, a espetacular Janela do Céu.

A explicação é simples: uma abertura em forma de um pequeno arco sobre o leito do Rio Vermelho que despenca de um enorme paredão, proporcionando a visão do céu, dos vales e mares de montanhas. Essa abertura, formada pela vegetação, lembra uma janela. No lado esquerdo, há um mirante natural, de onde se avista um paredão na direção contrária e as quedas de uma cachoeira. Um dos pontos mais lindos que encontramos no Parque. Ali lanchamos e tomamos um banho revigorante nas águas límpidas e geladas das piscinas naturais.

Desse ponto, continuaríamos a trilha em direção a Cachoeirinha por dentro do rio, apreciando parte de um pequeno cânion, pois caminhar pela água seria mais emocionante e mais fresco do que andar pela trilha, até porque o astro-rei não dava trégua, porém nos alertaram que com mochilas e máquinas fotográficas seria muito difícil. Retornamos a trilha e seguimos até chegarmos na Cachoeirinha, que possui uma queda de 30 metros de altura, porém com um pequeno volume de água, devido a seca na região, ganhava um aspecto de chuveiro ao despencar do paredão, por causa do vento, desaguando em um diminuto poço la embaixo. Do topo da cachoeira, observamos os paredões em forma de cânions que o circundam, cobertos de vegetação. À margem esquerda, um banco de areia branca, que forma uma prainha. Por ultimo aproveitamos o mirante, o da Lagoa Seca, para sentir o ar puro, contemplar a bela paisagem no horizonte e continuar o retorno.

Depois de muitas subidas e descidas, passamos pela entrada da trilha que dá acesso ao Pico do Pião, pela Gruta do Monjolinho, pela entrada da ponte de pedra e lago dos Espelhos, Prainha, e finalmente o restaurante do parque, onde encontramos nosso amigo Ismar, que nos aguardava, pois estava tratando do reboque de seu carro, e que por este motivo na fez a trilha.

Depois de um dia como este, com quase 20 Km de trilha, saímos à noite para jantarmos na acolhedora vila, bebemos cervejas artesanais do local, curtimos uma boa música ao vivo e realizamos uma pequena caminhada ao luar para dormimos com as estrelas, pois estas pareciam estar a poucos metros de distância de nossos dedos, até porque no dia seguinte mais perambulada pelas trilhas.

 

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