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Chapada Diamantina – Bahia

Cachoeira da Fumaça e do Buracão, Gruta da Pratinha e Lago Azul

Chapada

Com uma área de 1520 Km2, o Parque Nacional da Chapada Diamantina é um dos mais fascinantes parques naturais do Brasil. Encravado no coração da Bahia fazendo limite com os municípios de Lençóis, Andaraí, Mucugê, Ibicoara e Palmeiras, o Parque exibe um ecossistema bastante variado com inúmeras nascentes que brotam por entre os paredões rochosos. Possui mais de 35 rios, os maiores são o Paraguaçu e o rio Preto. Devido à variação do relevo e das diversas formas de vegetação, a fauna é muito rica. Algumas espécies podem ser vistas com muita facilidade tais como: beija-flores, periquitos, papagaios, capivaras e pequenos lagartos. Abriga desde os pequenos roedores conhecidos como mocós, que se adaptam desde os baixos das dolinas de calcário até os platôs sobre a serra, até exemplares de grandes mamíferos ameaçados de extinção, como a onça-pintada e a suçuarana. Foi nesse cenário, que acompanhados do experiente guia Edinho, da operadora Terra Chapada Expedições , contratada para essa grande aventura, que percorremos durante 7 dias, mais de 700Km de carro e 56km de trilhas, para conhecer algumas maravilhas desse lugar mágico.

1º Dia: Morro do Pai Inácio

O entardecer no alto do Morro do Pai Inácio
O entardecer no alto do Morro do Pai Inácio

Chegamos cedo a Lençóis, por volta das 6 horas da manhã, a cidade ainda se preparava para os festejos do dia da independência. Aguardava-nos na rodoviária uma pessoa da Terra Chapada Expedições, que nos levaria à pousada. Como o horário de entrada seria a partir das 12 horas deixamos as mochilas na recepção e fomos dar uma volta na cidade para um reconhecimento primário. A cidade de Lençóis é a porta de entrada da Chapada da Diamantina e serve de base para vários passeios. Construída nos tempos áureos do garimpo na região, numa época de muita riqueza, Lençóis era conhecida como a Capital do Diamante. A cidade dispõe de infraestrutura com capacidade para atender turistas de todas as partes do mundo. Para descansar dos passeios, a cidade possui vários tipos de acomodação como hotéis, pousadas, albergues ou campings. Para conhecer as atrações, agências de turismo organizam caminhadas pelas trilhas que cortam o parque e passeios fretados para os locais mais distantes. Também podem ser contratados guias credenciados que estão aptos a apresentar os atrativos. Á tarde, depois de acomodarmos na pousada e após um breve descanso, fomos visitar o Morro do Pai Inácio. O nome do morro, segundo o nosso guia, deve-se a uma lenda existente na região. Segundo ela, um escravo de nome Inácio, apaixonou-se pela filha de um poderoso coronel, proprietário de grandes garimpos de diamante. Quando um dia ele descobriu o romance, mandou pistoleiros no seu encalço. Em fuga, Pai Inácio procurou abrigo no topo do morro e encurralado não tendo como escapar, saltou com a sombrinha da amada. Conta-se que, após o salto, todos pensaram que ele morreu, mas nunca encontraram o corpo… O que aconteceu na verdade foi que ele pulou numa rocha mais abaixo do topo e com isso enganou a todos escondendo por entre as cavidades, muitos conseguiram ver Pai Inácio correndo entre os vales para nunca mais voltar. Lendas à parte, o Morro do Pai Inácio está situado no limite entre o Parque Nacional da Chapada Diamantina e a Área de Proteção Ambiental Marimbus-Iraquara. Na região central da Bahia e distante cerca de 30 km da sede municipal de Lençóis. Do alto deste mirante natural, tem-se uma visão de 360 graus com paisagem de tirar o fôlego, que se torna ainda mais encantadora com pôr sol. O perfil das serras verde-azuladas se confunde com nuvens douradas, o vento é muito frio e completa a sensação de estar no topo do mundo.

2º Dia: Gruta Azul, Gruta da Pratinha, Gruta da Lapa Doce e Poço do Diabo

Mergulho na Gruta da Pratinha
Mergulho na Gruta da Pratinha

Após o café da manhã, saímos para conhecer a Gruta da Lapa Doce, situada no município de Iraquara a 70 km de Lençóis, com a entrada a partir de uma bela dolina (depressão externa formada por erosão de material calcário), que faz parte de um complexo de cavernas calcárias conhecidas como Lapa Doce I, II e III. Somente nesta última é permitida a visitação, sempre com grupos de no máximo 12 pessoas, acompanhadas por guia em uma travessia de quase 1 km. De acesso razoavelmente fácil, essa gruta traz em si um pouco de tudo o que as cavernas da região podem oferecer, desde as famosas estalactites (formações que “crescem” a partir do teto, pelo acúmulo de sedimentos trazidos pela água que se infiltra pelo teto da caverna) e estalagmites ( formações que “nascem” do chão, pelo acúmulo de partículas das gotas que caem do teto) a outros inúmeros espeleotemas apresentando formas sempre surpreendentes inclusive em tons avermelhados contrastando com o branco da calcita provocado pelo desmatamento na superfície, que permite a entrada de água com argila.

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Localizado também em Iraquara a Gruta da Pratinha oferece a oportunidade de conhecer um dos lugares mais incríveis do mundo para a prática do mergulho. Com suas águas cristalinas em azul neon, proveniente do fundo da gruta rico em calcário e magnésio, e visibilidade total, o Rio Pratinha oferece um mundo repleto de belezas submersas de tirar o fôlego. O mergulho nas cavernas é acompanhado de guias que conduzem pequenos grupos equipados com máscaras, snorkel, nadadeiras, coletes de flutuação e lanternas – material indispensável para a prática da flutuação, que pode ser alugado no próprio local. Lá dentro podem-se observar pequenos peixes e morcegos no teto. Luz, só artificial. Sem as lanternas, a escuridão é total. A gruta da Pratinha tem conexão com a Gruta Azul, logo ao lado, onde o mergulho é proibido.

Após almoço na Pratinha, saímos em direção às cachoeiras do Rio Mucugezinho e ao Poço do Diabo. O rio com leito de pedras e com diversas cachoeiras e saltos, o maior é a cachoeira ou Poço do Diabo, com uma queda aproximada de 22 m de altura e, um belíssimo cânion, formando um maravilhoso lago com águas de coloração escura, devido à alta concentração de ferro, porém cristalinas, onde tomamos um refrescante banho. Ninguém entende o motivo de um lugar tão bonito ter sido batizado com esse nome. Segundo o nosso guia, dizem que quem caía na garganta da cachoeira só aparecia no poço no dia seguinte. Por isso, o local começou a ser considerado maldito e ganhou esse nome.

3º Dia: Cachoeira da Fumaça

Cachoeira da Fumaça
Cachoeira da Fumaça

Café na pousada e saímos de carro em direção ao Vale do Capão, passando antes pelo centro do Município de Palmeiras, até chegar à pousada onde pernoitamos já no Vale do Capão. Deixamos o desnecessário no quarto e partimos para a trilha da Cachoeira da Fumaça. O Vale do Capão é um lugar encantado, coberto de vegetação típica de mata atlântica e cerrado, desenhado por montanhas, cachoeiras e gerais que guardam o mistério de todo Vale. Está Localizado no município de Palmeiras, a 1.000m de altitude, bem no coração do Parque Nacional da Chapada Diamantina. O lugar detém famosíssimos paraísos ecológicos, como o Silêncio dos Gerais, a correnteza do Rio Preto, o imponente Morrão e o abismo onde caem as águas da imponente Cachoeira da Fumaça – a mais alta do Brasil. São aproximadamente 11 km, ida e volta de trilha a partir da Vila do Capão para chegar à parte de cima da Cachoeira da fumaça. Os primeiros 500 metros são íngremes, porém o restante é realizado no plano, às vezes em solo arenoso ou pedregoso, sempre cercado por uma vegetação rasteira e florida. O impacto que causa ao chegar à parte de cima da cachoeira é impressionante, olhar para aqueles paredões de pedra que se ergue de todos os lados, formando uma cratera gigantesca e cujo fundo é um poço muito grande de águas escuras, é indescritível. A parte mais complicada é chegar a beira do precipício, mesmo estando deitado na rocha e se arrastando, a sensação é que vamos escorregar pelo abismo abaixo. Cachoeira da Fumaça é uma das maiores estrelas da Chapada Diamantina e impressiona pelo tamanho colossal de sua queda livre. Devido à estiagem, a pouca água do riacho que escorria pela fenda da rocha para voar pelo precipício de quase 400 metros de altura, não conseguia chegar ao poço lá embaixo, mesmo assim foi possível testemunhar o fenômeno que faz a água se dispersar no ar, formando uma cortina de fumaça. Depois de fazermos a trilha para a Cachoeira da Fumaça resolvemos ainda conhecer mais uma cachoeira do Vale do Capão, a Cachoeira do Riachinho. Ela fica numa trilha bem fácil, próxima a estrada que vem de Palmeiras e guardada pelo olhar vigilante e sempre presente do Morrão. É possível parar o carro bem próximo e caminhar cerca de 5 minutos somente. A Cachoeira impressiona pela beleza de sua formação rochosa, de suas quedas d’água e de seu grande poço. Um banho refrescante recarregou nossas baterias para o dia seguinte. Voltamos para a pousada, e à noite fomos jantar no Restaurante da Dona Beli na vila, uma das melhores comidas caseiras da região. Um dia realmente gratificante.

4º Dia:Caminhada pelos Gerais do Rio Preto

Caminhada pelos Gerais do Rio Preto.
Caminhada pelos Gerais do Rio Preto.

Era um dia muito esperado por nós, pois faríamos uma das mais belas caminhadas da chapada, a travessia Capão – Guiné, num percurso de aproximadamente 18 km de trilha, passando pelos Gerais do Rio Preto, de onde se avista o Vale do Pati que é considerado um dos mais belos do Mundo, até chegar ao Beco do Guiné, na face ocidental do parque. Nessa manhã tivemos duas surpresas: A primeira foi um belíssimo café da manhã preparado pelo nosso guia, motorista, fotografo e agora cozinheiro Edinho, a segunda, infelizmente não foi boa, pois tivemos que abortar essa caminhada, devido às fortes chuvas que caíram neste dia. Optamos então por um transfer até o povoado de Guiné. Chegamos com o tempo bem melhor e, com todos os apetrechos para um trekking, começamos a subida do Beco do Guiné, por onde tentaríamos chegar ao Gerais do Rio Preto. Já na metade do caminho, uma tempestade com chuva intensa e fortes ventos nos pegou novamente, mesmo a assim continuamos na esperança do tempo melhorar, mas quando chegamos ao topo do Beco o tempo piorou e a decisão tomada foi voltar, pois não teríamos visual nenhum com aquela tempestade. O Vale do Pati ficará para outra oportunidade. Já na Vila de Guiné, todos encharcados e com muito frio, trocamos de roupa e partimos para Mucugê, pois não poderíamos perder tempo. Na entrada da cidade visitamos um local com pinturas rupestres nas rochas e a seguir fomos para a pousada. Depois de um banho e de pendurarmos roupas e botas para secar, saímos para conhecer a cidade de Mucugê, aproveitando o restinho de tarde que ainda tínhamos. É uma cidade tranquila, com ruas bem limpas, e que preserva bastante seu casario dos áureos tempos dos garimpos de diamante.

5º Dia: Cachoeira do Buracão

A fantástica cachoeira do Buracão
A fantástica cachoeira do Buracão

Este é um dos melhores passeios da viagem à Chapada Diamantina. A Cachoeira do Buracão ainda não é tão explorada quanto os outros pontos turísticos principalmente por causa de seu acesso complicado. Saímos cedo de carro da pousada, em direção ao Município de Ibicoara, no extremo sul do Parque Nacional, mais de 200 km, ida e volta, para conhecer a Cachoeira do Buracão, localizada dentro do Parque Natural Municipal do Espalhado. No meio do caminho pegamos o guia de nome Tom, gente muito boa, pois para entrar no parque só com guia credenciado e da região. O Parque Natural Municipal do Espalhado se destaca entre os atrativos naturais do município com diversos rios, cânions e cachoeiras. É uma Unidade de Conservação com uma área de 611 ha, a 30 km da sede do município. Sua principal atração é a cachoeira do Buracão, considerada uma das mais bonitas de toda a Chapada da Diamantina. Dentro do parque pegamos uma trilha totalmente plana em piso rochoso ao lado do leito do rio com cerca de 6 km ida e volta. A trilha oferece uma paisagem deslumbrante com remanescentes de mata e vegetação rupestre em trechos da Serra do Sincorá e repleta de paradas para banho, destacando-se o rio Espalhado, formado pelos rios Mucugezinho, Riachão e Jubiara e as cachoeiras do Buraquinho, das Orquídeas e a do Espalhado. A trilha segue tranquila até chegar a um cânion que descendo, nos leva à cachoeira do Recanto Verde, uma cachoeira que não tem rio e nem poço, a água saí de dentro de uma parede e corre por baixo das pedras, fantástico. E logo a seguir paramos num belíssimo recanto com um rio de águas escuras, porém limpíssimas, que corre entre cânions estreitíssimos e altos, um lugar totalmente selvagem. Nesta parada, há duas opções para chegar a Cachoeira do Buracão, ir “escalando” os paredões ou cair na água e nadar contra a correnteza. Optamos primeiro em cair na água (no local ficam coletes permanentemente). É indescritível a sensação de estar nadando naquele local entre os paredões de quase 100 m de altura, ate chegar ao grande lago, com profundidade de até 50m, e se deparar com aquela queda d’água monstruosa, despencando lá de cima. É de ficar boquiaberto, sem palavras, somente a mãe natureza a nos brindar com esse visual. Nadamos até bem próximo da queda, porém não entramos embaixo dela, pois a vazão é muito grande, sendo perigoso. Voltamos pelas pedras, atravessamos uma pinguela, sempre apreciando os paredões e o rio correndo em direção a outras cachoeiras com certeza. Lanchamos ali mesmo, e subimos para ver o Buracão de cima. Chegamos bem perto da queda, e olhando para baixo percebemos naqueles paredões rochosos em formato circular que se assemelham a um enorme buraco, tragando as águas da cachoeira com a força de seus 85 metros de altura, o por quê do nome buracão. Um espetáculo, simplesmente fantástico! Na volta, ainda na trilha, tomamos um banho refrescante nas cachoeiras, e retornamos a Mucugê para jantar e pernoitar. Quem for à Chapada tem que obrigatoriamente visitar a Cachoeira do Buracão, um lugar imperdível e de uma beleza ímpar.

6º Dia: Cachoeira da Fumacinha

A cachoeira da Fumacinha
A cachoeira da Fumacinha

Após café da manhã, seguimos novamente de carro até Ibicoara, agora acompanhados também da Monique (guia da Terra Chapada). Depois de passarmos pela Cidade de Cascavel e por muitos outros vilarejos, chegamos ao local de inicio da caminhada e de imediato botamos o pé na trilha que conta com aproximadamente 7 km até a Fumacinha, que tem no inicio uma pequena subida, porém após atravessar um riacho chega-se ao Gerais do Machambongo, uma região belíssima, de vegetação rasteira e cheia de flores, sendo a sempre-viva predominante. Essa travessia nos traz uma grande paz interior quando olhamos aquela imensidão plana a perder de vista e não vemos praticamente construção nenhuma, a não ser a Toca dos Vaqueiros, que dizem ser quase um hotel 5 estrelas no meio dos gerais. Segundo a Monique, ela foi construída pelos vaqueiros que traziam o gado dos grandes coronéis da região para os Gerais, antes da proibição da criação destes animais pelo IBAMA que hoje administra o Parque Nacional. Antes de chegarmos a Fumacinha, paramos em uma bela cachoeira para lanchar, tomar banho e relaxar através das massagens realizada pela queda de água do Riachão. Fizemos por cima a cachoeira da Fumacinha, e o que se ver é de tirar o fôlego. Durante todo o percurso a natureza nos surpreende a cada instante. Só não é igual ou maior que a sua famosa irmã, a Fumaça, porque em seus 300m de extensão a queda da cachoeira se divide em três estágios, sendo que a última é de quase 100 m de altura. Não é possível ver as duas últimas quedas, pois o rio entra em uma garganta estreita de um cânion bem profundo em formato de “S”. Entretanto, de um mirante, é possível ter uma visão extraordinária do cânion rio abaixo. Fundo e estreito, ele tem 9 km de extensão. Daquele ponto não havia como descer, exceto fazendo rapel conforme nos disse o guia. Uma excursão à Fumacinha por baixo leva dois dias, pois apesar do cânion ter apenas 9 km, a caminhada é realizada no leito acidentado do rio. É altamente aconselhável fazê-la em época seca porque uma tromba d’água naquela garganta estreita não deve ser nada agradável. Saímos extasiados daquele lugar tão bonito e com pensamento de um dia voltar para fazer a Fumacinha por baixo. Seguimos direto para Mucugê, onde deixamos a Monique e fomos para Xique-Xique do Igatu no município de Andaraí para jantar e pernoitar.

7º Dia: Poço Azul

O Poço Azul
O Poço Azul

Depois de uma noite bem dormida na agradável pousada Flor de Açucena, saímos para conhecer a pitoresca vila de Igatu, cidade pré-colombiana, situada no mesmo paralelo de Machu Picchu. É uma cidade tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), Distrito de Andaraí, distante 114Km de Lençóis. A vila que já teve por volta de 15 mil habitantes no auge do ciclo do diamante, hoje conta com menos de 500 e é uma verdadeira cidade de pedra. Acredita-se que Igatu ou Xique-xique (como era conhecida) foi descoberta por volta de 1840, por garimpeiros e foram eles que fizeram as obras em pedra que encontramos por lá. Foi um século de exploração e riqueza e a decadência no século 20, quando a maioria das casas foi abandonada. Os próprios garimpeiros chegaram a destruir ruas inteiras em busca dos últimos diamantes o que deu início aos cerca de 7Km de ruínas que hoje podem ser visitadas, por este motivo muitos a chamam de cidade fantasma. Na saída de Igatu passamos por um caminho calçado de pedras que liga Andaraí a Igatu, que é considerada uma das trilhas mais bonitas da Serra do Sincorá.

Passamos depois pelo centro do Município de Andaraí, com seu casario multicolorido e fomos direto para o Poço Azul no Município de Nova Redenção. A caverna tem formações rochosas de estalactites e estalagmites e, ao fundo possui um belíssimo poço de águas cristalinas. No período de abril a setembro, a posição do Sol com relação à Terra, faz com que a incidência dos raios solares que entram por uma abertura na gruta e provoquem nas águas do poço um belíssimo efeito, tornando as suas águas azuis num tom completamente transparente. É permitido o banho e flutuação. No Poço Azul encontram-se esqueletos completos de preguiças gigantes, datados em 10 milhões de anos. Chegamos ao poço antes da hora pré-determinada em que os raios solares penetram em suas águas, mesmo neste momento é muito lindo. Caímos na água e o impressionante é que mesmo com uma profundidade entre 3 e 20 m a visibilidade é total e temperatura média da água de 20 graus, uma maravilha. Apesar de pouca vida da para ver pequenos camarões e o raro Bagre-Albino. Nadando da parte mais escura do poço em direção à entrada, a sensação que se tem é de estar em outra dimensão. Todos saíram da água à espera dos raios solares, e quando isso aconteceu o que se viu foi uma coisa simplesmente extraordinária, fachos de raios solares incidindo sobre a superfície aquática, refletindo sobre as rochas dando uma coloração de várias tonalidades no ambiente. Uma cena rara de se ver. A visibilidade ficou mais intensa ainda. Surreal. Após esse período, o banho foi liberado e a sensação que se tinha é de estar flutuando no espaço, e poder curtir essa experiência fantástica de nadar dentro do poço iluminado, realmente não tem preço. Ficamos sabendo depois que nos feriados e na alta temporada o tempo máximo para fazer a flutuação é de 15 minutos e que no dia 7 de setembro teve fila de até 3 horas para descer na gruta, com apenas 10 minutos de flutuação. E com certeza essas pessoas que esperaram esse tempo não saíram de lá deslumbrados como nós. Não tem palavras para descrever o Poço Azul, é preciso ir e sentir. Não apenas pela beleza do local, com suas águas cristalinas e poder fazer a flutuação sobre elas, o Poço Azul foi um dos lugares que mais nos surpreenderam durante a nossa estada na Chapada. Resultado, após esta experiência magnífica, ainda tivemos o prazer de almoçar ali uma deliciosa comida regional no restaurante da amável Dona Alice. Divino. Saímos daquele lugar mágico direto para Lençóis, para jantar e pernoitar. Despedimo-nos do nosso guia Edinho que nos aturou durante esse tempo em que estivemos na Chapada, e que por sinal foi muito solícito e sempre pronto a nos atender.

No dia seguinte, arrumamos nossas mochilas e fomos dar as ultimas voltas pelo centro de Lençóis, nos despedimos das meninas da Terra Chapada Expedições que sempre nos trataram tão bem. Em seguida fomos almoçar e logo pegar o ônibus para Salvador. Deixando aquele lugar mágico para trás, sentimos um forte aperto no coração, porém a certeza que valeu a pena cada trilha que andamos, cada pedra que pulamos, cada morro que subimos, cada mergulho que demos, o cansaço que sentimos e as imagens que ficarão para sempre em nossas memórias e as muitas histórias que teremos pra contar, realmente valeu muito, mais muito mesmo.

Texto: Valdir Neves

Veja as Fotos

As dicas para quem quer ir a Chapada Diamantina

Vale a pena!!

Vale a pena contratar uma operadora para conhecer a chapada. Escolhemos a Terra Chapada Expedições e ficamos bastante satisfeitos com o trabalho deles. Não precisamos nos preocupar com a logística da expedição que ficou a cargo da operadora. Existem vários pacotes, com vários níveis de intensidade e para todas as idade. Os preços foram os melhores que encontrei e você ainda pode parcelar. Uma outra questão importante são os guias, a equipe da Terra Chapada é bastante competente e atenciosa.

Resumo:
Operadora: Terra Chapada Expedições
Roteiro: Volta ao Parque com Guiné, Buracão e Fumacinha
Duração: 7 dias
Saber o que levar para a Chapada é muito importante. Abaixo a nossa sugestão:
  • Roupa de banho, shorts e maiô
  • Tênis ou bota confortável para as caminhadas, com sola de borracha;
  • Toalha pequena de rosto;
  • Papete;***
  • Meias sobressalentes;
  • Capa de chuva;
  • Protetor solar;
  • Boné ou chapéu;
  • Óculos de sol;
  • Repelente contra insetos;
  • Binóculos;***
  • Lanterna leve e pilhas sobressalentes;
  • Canivete ou faca pequena para frutas( não levar na bagagem de mão)
  • Mochila pequena e impermeável;
  • Medicamentos regulares;
  • Máquina fotográfica;
  • Para Trekking trazer pouca bagagem e mochila confortável;
  • Cantil;
  • Abrigo de moletom;
  • Roupa com tecidos leves, para a caminhada e trekking;
  • Para alérgicos levar camisetas de manga comprida.
  • *** Somente como acessórios, não são imprescindíveis.
    Obs.: Ao separar sua bagagem levar somente o necessário. Você passará a maioria do tempo em caminhadas lindas e não necessitará de muita bagagem. Sugiro pensar em três tipos de roupas: Uma para as caminhadas, uma para ficar a vontade à noite nas cidades e outra para dormir. Traga duas mochilas, uma pequena para as trilhas e outra que encontrará sempre na pousada no final do dia. Informo que o ônibus da Real Expresso tem o ar condicionado frio, portanto tragam agasalho para a viagem.
Links e endereços importantes
Terra Chapada Expedições

Praça Horácio de Matos, 7

Centro – Lençóis – BA

+55-75-3334-1428 ou +55-75-9977-7767

www.terrachapada.com.br

Real Expresso

Salvador-Lençóis-Salvador

0800-6001155

www.realexpresso.com.br

Pousada Pé de Serra

Rua da Biquinha, s/n

Mucugê – BA

+55-75-3338-2066

pedeserramucuge@hotmail.com

Pousada Flor de Açucena

Rua Nova s/n

Vila do Igatu – Andarai – BA

+55-75-3335-7003


http://igatur.googlepages.com/pousadaecamping

Edinho – Guia da Chapada

+55-75-9999-8251

edinhodeguine@hotmail.com

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