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Escalavrado – PNSO RJ

Parque Nacional da Serra dos Órgãos

O Início

Situado no município de Teresópolis RJ, o Escalavrado é uma das mais belas formações rochosas da Serra dos Órgãos. Composta por uma longa crista sem vegetação que começa ainda na estrada, essa montanha parece intransponível. Para chegar ao seu come, que tem 1.406m, o montanhista precisa usar técnicas de escalada e equipamentos de segurança, como corda, boudrier e mosquetões para vencer alguns obstáculos. Durante a caminhada, podemos avistar outras montanha igualmente imponentes como o Dedo de Deus, Garrafão, Agulhinha do Diabo, Cabeça de Peixe entre outras.
O dia amanheceu perfeito para uma caminhada: sol, céu azul e temperatura agradável. Seguimos para o ponto de encontro próximo ao inicio da trilha que fica à beira da estrada Rio-Teresópolis, lá iríamos encontrar com o restante do grupo, todos sócios do CEB. Enquanto aguardávamos, podemos notar o intenso movimento de montanhistas que chegavam, estacionavam seus carros e seguiam para as diversas trilhas existentes no parque. Aos poucos o pessoal foi chegando: Horácio e Fernando, que seriam nossos guias, Aline, Ana Paula, Enio, Carlos, Otávia, Ana, Juca, Ana Izabel, além é claro eu e o Valdir.

Começa a aventura

Eram 08:40h quando começamos a subir. No inicio, a trilha passa por um pequeno trecho de mata, intercalada por subidas íngremes na rocha, mas que tinha boa aderência. Logo alcançamos o nosso primeiro obstáculo onde o uso do equipamento de segurança se faz necessário, sobretudo para dar mais autoconfiança aos participantes. Um lance de uns 30 metros que intercalava passagens de 1º e 2º grau. Enquanto aguardávamos a colocação da corda, podíamos apreciar a beleza do Dedo de Deus bem a nossa frente. O Fernando seguiu primeiro levando a corda e em seguida, após colocarmos os equipamentos, um a um todos subimos.

A crista

Ascendemos um pouco mais, segurando em pequenas árvores e fendas nas pedras até alcançamos a primeira crista, que mais parecia um dorso de animal, não era muito íngreme, tinha uns dois metros de largura por uns trinta de comprimento e um imenso abismo de cada lado. Nesse momento estranhamos a demora do Horácio e da Ana Izabel, que ficaram para trás, então o Juca resolveu ver o que tinha acontecido, e ficamos sabendo que o Horácio tinha passado mal, uma pequena indisposição, e resolveu não seguir adiante, ficando naquele ponto com a Ana Izabel aguardando o nosso regresso. Com um guia a menos fizemos uma pequena reunião e resolvemos seguir adiante.
Já “encordado” e com o Enio dando segurança, o Fernando seguiu pela crista até o outro lado. Montamos um corrimão com uma das extremidades da corda presa em uma árvore e a outra no grampo onde o Fernando estava. Nos prendemos a ela e seguimos adiante. O corrimão até não era necessário, mas a sensação de segurança que ele nos passava era enorme. Deixamos a corda no local para o caso do Horácio e da Ana Izabel resolverem subir.

Chegada ao cume

Mais uma subida e chegamos a uma segunda crista, esta um pouco menor, mas em compensação um pouco mais íngreme.. Lá encontramos com um grupo com três adultos e uma criança que já estava retornando. De novo o Fernando escalou na frente, prendendo a corda que foi usamos para ajudar na subida. A partir desse ponto uma pequena caminhada nos separava do cume, e o alcançamos ás 12:40h, quatro horas após a partida, um tempo razoável se levarmos em conta o tempo perdido nas subidas com a ajuda de cordas e também que não estávamos com pressa.
A vista no cume do Escalavrado era simplesmente fantástica, de um lado o majestoso Dedo de Deus, o Dedo de Nossa Senhora e o Garrafão emoldurados pela exuberante mata do Parque Nacional da Serra dos Órgãos. De outro, lá em baixo, a cidade do Rio de Janeiro e a baia da Guanabara. Impressionante!
Sentamos para lanchar, assinar o livro de cume e descansar um pouco antes de iniciarmos a descida. Fui ai que alguém, que não sei quem foi, ligou para casa e disse que no Rio estava chovendo. Mas como podia ? O tempo estava limpo, o céu completamente azul! Só então percebemos que para os lados da Pedra do Sino havia algumas nuvens. Resolvemos apressar o nosso retorno porque não havia nada pior do que descer aquelas cristas com neblina.

O Retorno

Quando iniciamos a descida, a neblina já encobria o Dedo de Deus, já não era possível vê-lo com nitidez. A cerração já começava a nos alcançar. O Fernando seguia na frente para preparar o rapel da primeira crista, eu e o Valdir cerrávamos a fila. Ficamos um pouco para trás porque a Aline descia devagar com dor na ponta dos dedos dos pés. Ao chegamos à crista, quase todos já tinha rapelado. Fique por último, quando todos desceram recolhi a corda para preparar o meu rapel com a corda dobrada, para que depois pudéssemos recolhe-la, ainda sem saber se conseguiria alcançar a base, isso porque estávamos com uma corda de 30 metros, a outra que era maior, tinha ficado na última crista lá em baixo. Mas para minha felicidade a corda chegou até a base. Continuamos á descer, a neblina era muito forte, a visibilidade não passava de 20 metros. A chuva parecia eminente e queríamos descer o máximo possível antes que ela chegasse, porque a pior coisa que podia acontecer era ter que descer com a rocha molhada.
Chegamos na segunda crista, a mais longa, cerca de 30 metros. O Fernando foi guiando com o Enio dando segurança. No meio do caminho havia um grampo onde ele colocou uma costura e continuou a descer até a base. Como não havia muita inclinação fizemos um corrimão para que todos descessem com segurança. Mais uma vez fiquei por último, iria ter que rapelar em duas etapas: a primeira até o grampo no meio da via, ancorar nele, recolher a corda e preparar o segundo até a base. Estava um pouco apreensivo, mais uma vez não tinha certeza se a corda dobrada chegaria até o grampo no meio da crista. O Valdir foi o penúltimo a descer e após passar pelo grampo na crista foi literalmente engolido pela neblina, que naquele ponto parecia mais forte. Já não era possível enxergar a base. Preparei o meu rapel com o cuidado de dividir a corda corretamente ao meio, ia precisar de todos os centímetros para alcançar o grampo. Rapelei em meio à neblina, olhando para o grampo e para a corda tentando calcular se chegaria nele. Quase não deu. Foi à conta certa. Com uma das mãos segurava o nó no final da corda e com a outra me prendia no grampo. Dali até a base foi tranqüilo. Continuamos a descer e o pior aconteceu: começou a chover, ainda uma chuva fraca, mas que já começava a molhar a pedra. O cuidado tinha que ser redobrado, então resolvi gravar um pequeno filme mostrado a nossa descida cautelosa e me descuidei, escorreguei e me estabaquei de costas no chão. Nada de grave só um cotovelo ralado e um furo no anorake.
Logo abaixo encontramos com Horacio e a Ana Izabel que nos esperavam onde os tínhamos deixado. A chuva estava mais forte e a água já escorria com força pelas valas, formando pequenas cachoeiras dificultando ainda mais a nossa descida. Passamos a descer muito lentamente para não escorregar, na maioria das vezes sentado no chão. A chuva transformava em obstáculo qualquer desnível na Rocha.
Continuamos a descer chegamos no ponto em que fizemos a primeira escalada com a ajuda da corda, na subida. Os 25 metros de parede, que sem chuva faríamos rapidamente, acabou levando uma eternidade. À medida que o tempo passava e a chuva continuava começávamos a nos preocupar com a noite que teimava em chegar mais cedo devido ao mau tempo e a neblina. Seguimos adiante, o Horacio ia na frente quando deparamos com uma descida que parecia banal se não estivesse chovendo, mas para nós, o próximo obstáculo era sempre pior que o anterior. Ele achou melhor aguardar o Fernando com a corda para ajudar na descida. A cada parada que fazíamos o frio aumentava, estávamos encharcados e alguns sem Anorake. Aqui faço um alerta: Anorake e lanterna são fundamentais dentro da mochila de qualquer montanhista. Você só vai saber a falta que esses equipamentos fazem quando precisar e não os tiver.
Assim que o Fernando chegou, o Horácio falou sobre a corda e ele achou que dava pra descer sem ela, em caso contrário perderíamos muito tempo novamente. Então seguimos, bunda no chão, e as mãos segurando nas bromélias, o Fernando seguiu na frente mostrando o caminho e ajudando o pessoal a descer. Felizmente conseguimos ultrapassar esse obstáculo sem maiores sustos.

O Susto

Já era possível ouvir os motores dos carros na estrada, faltava pouco. O Horácio seguia na frente com o Fernando procurando o melhor lugar para passarmos quando de repente um momento de tensão: O Horácio escorregou, caiu e deslizou rocha abaixo parando uns 10 metros depois. Fernando gritou perguntando se ele estava bem e para alívio geral ele respondeu que sim. Então o Fernando avisou que ele esperasse lá que iria colocar uma corda para descer para ajudá-lo.
Já estava escuro quando Horacio conseguiu chegar na estrada. Então montamos um corrimão e recomeçamos a descida, faltavam só uns 50 metros até a estrada. Alguns tinham lanternas, então, intercalamos pessoas com e sem para descer os metros finais. Um à um todos foram chegando, o último o Fernando que foi aplaudido ao chegar. Incansável, na sua tarefa de guia, ajudou a todos a chegar com segurança. Agora só restava uma pequena caminhada pela estrada até o local onde estavam os carros. Nada, comparado a grande aventura que acabamos de passar.

Dicas

  • Levar boudrier, cordas e mosquetões.
  • Levar no mínimo 2 litros de água.
  • Passar protetor solar.
  • Usar botas ou tênis que tenha boa aderência.

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