Do Rio de Janeiro ao Atacama de motocicleta - Planejamento - Tô Perambulando

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Do Rio de Janeiro ao Atacama de motocicleta
– Planejamento –

Como surgiu a ideia da Viagem e seus integrantes

Assim que voltei de uma viagem ao Atacama com minha família, tive a ideia de voltar lá de motocicleta e perguntei ao meu amigo Armando, parceiro de viagens de moto, se ele toparia, na mesma hora ele aceitou, então eu já tinha uma companhia, ja podia planejar essa expedição. Convidamos alguns amigos motociclistas que em um primeiro momento toparam, outros não se sentiram seguros e outros iam pensar, dentre esses amigos que toparam estava o Jefferson, que desde o inicio abraçou a ideia com bastante entusiasmo. E para nós, era uma pessoa importante, além de um grande amigo, é um ótimo mecânico. Com o passar do tempo alguns amigos foram desistindo e somente restou nos três, resolvemos que era um numero bom para fazer a viagem. Nos meses seguintes comecei sentir a necessidade de alguém que me ajudasse na logística, imediatamente pensei no Valdir, parceiro de muitos anos e inúmeras viagens, mas tinha um problema, não pilota moto, então pensei, se ele topar colocamos um carro de apoio e assim além de contar com ele, poderíamos ter um carro que nos ajudaria muito na viagem. Ele topou, o que não foi novidade pra mim, ele nunca correu de uma boa aventura e não seria nessa que ia acontecer. Um outro amigo, ao saber da nossa viagem a pouco mais de um mês dela acontecer, mas que nunca tinha feito viagens desse tipo, nem era motociclista, me pediu para ir, fiquei indeciso, pois queria que alguém que fosse com Valdir no carro também pilotasse moto, porque poderia ajudar caso alguém estivesse cansado ou simplesmente indisposto, mas acabei aceitando. Acabou não sendo um boa escolha, ele acabou desistindo no meio da viagem. Então fechamos em cinco pessoas, três motos, duas Hondas Shadow (2006 e 2008) e uma BMW F800 Adventure 2014 e um carro, uma Spin Advantage 2014.

Planejamento é tudo

Qualquer pessoa pode fazer uma viagem dessa, sozinho ou em grupo, basta ter vontade e planejamento. Sim, planejamento, essa é a palavra chave, foram nove meses planejando, tínhamos muitas duvidas, qual roteiro fazer, custo aproximado, documentação do carro e das motos, equipamentos obrigatórios, legislação de transito na Argentina e no Chile, onde ficar, postos de combustíveis, etc. Achamos muita coisa na internet de como se preparar para uma viagem dessa, uma coisa importante foi peneirar, não adiantava ler artigos de cinco, seis anos atrás, pois as informações já poderiam estar obsoletas, então procuramos ler sobre outras expedições que ocorreram a partir de 2016. Vou procurar focar aqui alguns pontos importantes desse planejamento, e mostrar o que vivenciamos.

O Roteiro

Nossa expedição tinha como objetivo sair do Rio de Janeiro, as margens do oceano Atlântico, cruzar a America do Sul de Leste a Oeste, cortar a cordilheira dos Andes e chegar até a cidade de Antofagasta as margens do oceano Pacífico, culminando com a ida até a Meca dos motociclistas a escultura “La Mano del Desierto”, num percurso total de cerca de 8000 km, ida e volta. Portanto definir o roteiro era fundamental para chegar lá. Optamos pelo tradicional, todo asfaltado, cruzando a fronteira em Foz do Iguaçu em direção a Argentina, contornando o Paraguai, subindo até a fronteira do Chile no Passo Jama para chegar a San Pedro do Atacama e Antofagasta.

Expedição ao Atacama
Roteiro

Quais documentos pessoais preciso levar?

Identidade ou Passaporte

Indispensável, se for com a identidade, tem que ser civil, estar em bom estado e ter no máximo 10 anos.

PID – Permissão internacional para dirigir

É obrigatório no Chile, enviei um email ao consulado chileno que confirmou a obrigatoriedade e o documento nos foi pedido logo na imigração. Na Argentina não é obrigatório, mas se quer evitar problema, tire o seu. Claro, esse documento é para os pilotos da moto e as pessoas que iriam dirigir o carro.

PID

Como tirar o PID?
É muito fácil, no Detran RJ, basta pagar uma taxa, agendar, no dia marcado levar sua carteira de habilitação e dois dias depois já pode pegar o documento, que tem a mesma validade da sua habilitação.

Carteira Nacional de habilitação

É obrigatório para quem vai dirigir no Chile e Argentina. Mesmo tendo o PID, a carteira Nacional de habilitação é exigida, deve estar dentro do prazo de vencimento e em bom estado de conservação.

Autorização para dirigir veículos de terceiros

Bom vamos aos fatos. Você não pode dirigir um veículo (Carro ou Moto) não matriculado no país visitado (Chile ou Argentina) que não esteja em seu nome, a não ser que o dono do carro seja seu parente em primeiro grau, tipo pai, mãe e filhos e irmãos. Se não for trate de arrumar uma autorização.

Achamos bastante artigos na internet falando sobre como proceder para viajar de carro pela America do sul (no nosso caso, Chile e Argentina), sendo este financiado, em nome de uma empresa ou como era nosso caso, em nome de outra pessoa. Entretanto nenhum foi conclusivo, tivemos que juntar pedaços e correr atrás.

Ai começou nosso problema, como fazer essa autorização e como torná-la válida para viajar? No nosso caso íamos ao Atacama em três motos e um carro de apoio, sendo que uma moto e o carro de apoio eram meus, e portanto não poderia estar nos dois ao mesmo tempo.
A minha primeira dúvida era, se eu vou junto e o carro está em meu nome também, preciso mesmo dessa autorização? Fiz essa pergunta ao guarda da alfandega e esse me disse que sim, precisava, porque se por algum motivo eu não estivesse perto o carro poderia ser apreendido, então, precisávamos providenciar as autorizações para os dois amigos que iam no carro, dirigirem.

Encontrei muitos posts falando em fazer autorização, reconhecer firma e levar no consulado do pais para que seja homologado. Gente, não é mais assim. A partir de agosto de 2016 o Brasil passo a integrar a Convenção de Haia que elimina exigência de Legalização de Documentos Públicos, conhecida como APOSTILAMENTO COM RECONHECIMENTO INTERNACIONAL, que torna mais simples e ágil a tramitação de documentos públicos entre o Brasil e os mais de cem países.

Bom ai ficou fácil, era só fazer essa autorização, reconhecer firma e procurar um cartório que fizesse o apostilamento. Numa manhã, pertinho da minha casa resolvi isso. Fiz a autorização, conforme abaixo, fui ao cartório reconhecer a firma e ao olhar a tabela de preço estava lá bem grande na minha frente, APOSTILAMENTO INTERNACIONAL. Quase não acreditei! Não poderia ser tão fácil assim. Mas foi, firma reconhecida, e o apostilamento.

Resumindo. Hoje é muito fácil fazer isso. A maioria dos cartórios, das grandes cidades já fazem isso. O preço é um pouco salgado, mas fazer o que!
Na sua autorização você pode incluir os países que ira percorrer e até as pessoas que iram dirigir, colocando, se quiser um prazo de validade como fiz. Veja abaixo a nossa.

Exemplo de autorização para dirigir veículos que não esteja em seu nome com Apostilamento

Que documentos são exigidos para o veículo?

O CRLV
O Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos é indispensável, se não estiver em seu nome deve ser apresentada também a autorização acima.

Seguro Carta Verde
É um seguro que cobre a Responsabilidade Civil do Proprietário ou Condutor de Veículos de passeio, particular ou de aluguel, não matriculados nos países de ingresso em viagem internacional, por danos causados a terceiros. A apresentação do seguro Carta Verde é OBRIGATÓRIA nas fronteiras dos países do Mercosul. Esse seguro pode ser adquirido aqui no Brasil, o preço varia de acordo com o tempo de permanência no país. Fizemos o nosso pela Porto Seguro.

Seguro Soapex
É a versão Chilena do Carta verde, também é obrigatório e é exigido na fronteira, esse seguros protege de riscos de morte e lesões corporais o condutor de um veículo automotor e seus passageiros, bem como a todo terceiro afetado por um acidente ocorrido no Chile. O SOAPEX tem que ser feito pore uma seguradora Chilena, mais pode ser adquirido pela internet. O preço também varia de acordo com o tempo de permanência no país. Contratamos o nosso nesse link https://www.hdi.cl/venta/Index.aspx

Que acessórios são exigidos para o veículo ?

Essa foi a pior questão, tivemos muitas dúvida sobre o que era obrigatório, e viajamos e voltamos com elas. Não conseguimos uma definição de orgãos oficiais do Chile e Argentina sobre essa questão, alguns equipamentos constam da legislação, outros não, encontramos muitas opiniões divergentes na internet, portanto vou colocar aqui a nossa experiência.

Faróis acesos
É obrigatório na Argentina e Chile andar com os faróis baixos acesos mesmo durante os dias, inclusive motocicletas.

Triangulo Na Argentina é obrigatório o uso de dois triangulos para todos os veículos, menos motocicletas, que devem ser posicionados na frente e atrás do carro avariado.

Cambão
É obrigatório para veículos na Argentina.

Adesivos de velocidade máxima
É um adesivo que informa a velocidade máxima de 110 km/h, que deve ser colado na traseira de camionetes, pickups e outros do gênero. em automóvéis não é necessário.

Corrente para pneus
A legislação Chilena diz que é obrigatório em caso de gelo na pista e grandes nevascas, mas não fala nada sobre se é obrigatório ter no carro mesmo sem gelo. Como nossa viagem dificilmente pegaríamos neve decidimos arriscar e não levar. Como não fomos abordados, continuo sem saber se são obrigatórios ou não.

Kit de primeiros Socorros
Esse item também não levamos, o problema é que não conseguimos saber se nas motos eram obrigatórios, acabamos não comprando nenhum. Entretanto, é um ítem que é sempre bom ter numa viagem dessa.

GPS
Usamos basicamente em toda a expedição o aplicativo Google Map no celular, e ele não nós deixou na mão, nos levou com facilidade a todos os lugares. A cada manhã, na internet do hotel, baixávamos os mapas para uso offline e seguíamos em frente. Também experimentamos o MAPS.ME, que também usa os mapas offline, gostamos, mas como estávamos mais familiarizado com o primeiro tínhamos ele como backup caso algo desse errado com o Google Map.

Como escolhemos os hotéis

Como não tínhamos a certeza de completar o trecho estabelecido, optamos por não fazer reservas com antecedência. Foi uma escolha acertada, em três situações, não fizemos o trecho que pretendíamos, hora por algum problemas que nos atrasou, hora por opção nossa mesmo. Mas tínhamos todo o percurso mapeado, diga-se de passagem um excelente trabalho do Valdir, ele montou uma planilha com as cidades que poderíamos pernoitar, com pelo menos o nome de dois hotéis e a distancia de uma para outra. Então se tivéssemos um problema em um determinado lugar, sabíamos qual a cidade mais próxima e onde poderíamos ficar.

Postos de combustíveis

Sabíamos que encontraríamos postos de combustíveis a no máximo 200km um do outro, na maioria das vezes a cada 100 km existia um. Como as Hondas Shadow tinham pouca autonomia, optamos por abastecer sempre que encontrávamos um posto depois de rodar 100 km, isso porque tínhamos a preocupação de chegar em algum posto com o tanque vazio, e este, por algum motivo, não ter combustível, o que pode ser comum no interior da Argentina e a Cordilheira dos Andes. A outra opção são os galões para combustível, mas lembre-se que na Argentina e no Chile os posto só vendem combustível para colocar em galões homologado, aqueles vermelhos.

Para ler o Relato completo dessa aventura clique Aqui!

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