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Pedra do Sino

Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Pedra_do_Sino

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos foi criado em 1939 para proteger a excepcional paisagem e a biodiversidade deste trecho da Serra do Mar na região serrana do Rio de Janeiro. São 20.024 hectares protegidos nos municípios de Teresópolis, Petrópolis, Magé e Guapimirim. São protegidos florestas de encosta e campos de altitude entre 80m e os 2.275m da Pedra do Sino, ponto culminante da Serra dos Órgãos. A grande e brusca variação de altitude criou ambientes únicos e grande diversidade biológica. O parque protege mais de 462 espécies de aves, 105 de mamíferos e um grande número de espécies endêmicas, que só ocorrem nesta região. Devido a estes fatores, torno-se um dos melhores locais do país para a prática de esportes de montanha, como escalada, caminhada, rapel e outros; além de fantásticas cachoeiras. O Parque tem a maior rede de trilhas do Brasil. São mais de 130 quilômetros de trilhas em todos os níveis de dificuldade: desde a trilha suspensa, acessível até a cadeirantes, a pesada Travessia Petrópolis-Teresópolis, com aproximadamente 40 Km de subidas e descidas pela parte alta das montanhas, além da trilha da Pedra do Sino. Entre as escaladas destacam-se o Dedo de Deus, considerado o marco inicial da escalada no país, e a Agulha do Diabo, escolhida uma das 15 melhores escaladas em rocha do mundo.

Nossa aventura aconteceu no dia 24/05/2010, e contou com a presença dos amigos Herbert(companheiro de várias jornadas), Dieguito e Biel, meu filho mais novo, e eu(Valdir). Saímos bem cedo em direção a Teresópolis, cidade da região serrana do Rio de Janeiro onde fica o Parque Nacional da Serra dos Órgãos. Chegamos na portaria do parque por volta das 09:00 da manhã, compramos nossos ingressos e preenchemos um formulário com os dados de contato de cada integrante do grupo, além de assinar um termo de responsabilidade. Para esta trilha não existe a necessidade de contratar um guia profissional, mas é sempre recomendável contar com a presença de alguém no grupo que conheça o caminho e que tenha experiência neste tipo de atividade. Deixamos nosso carro no estacionamento do Abrigo Paquequer, pois não é mais permitido estacionar próximo a Barragem Beija-flor. Da portaria do parque até este estacionamento existe uma subida com quase 3 Km de extensão. Se você não for de carro, prepare-se para encarar mais essa subidinha.

A Pedra do Sino, com 2.275 metros de altitude, é um local muito procurado por montanhistas para a prática de diversos esportes e atividades turísticas. A trilha que leva até ela é longa e demorada, tem aproximadamente 11 km de extensão, da Barragem Beija-flor até o cume(22 km ida e volta). Ela requer resistência e preparo físico , mas não exige muita técnica, já que não é muito íngreme.

Depois de iniciarmos nossa caminhada, chegamos ao Véu da Noiva em aproximadamente 45 minutos, nossa primeira parada para descanso. Subida difícil, pois tem muita pedra nesse início de trilha.

Reiniciamos a caminhada, e após mais 3 horas chegarmos ao abrigo 3, um local com vegetação rasteira, onde há parada para descanso. Neste trecho da trilha ouvimos o tempo todo o canto de diversos pássaros que habitam a mata da região, uma benção para nossos ouvidos.

Fizemos nosso lanche e partimos em direção ao cume. Paramos algumas vezes para observar a vista de Teresópolis, a Pedra da Cruz e bater algumas fotos. Chegamos no abrigo 4, uma instalação com toda infra-estrutura para pernoite, exatamente às 13:15 e uns 20 minutos depois na Pedra do Sino, cansados, com frio, mortos de fome e eu ainda sentindo caibras.

Do alto da Pedra do Sino a paisagem é sensacional, seus vales e penhascos imensos são impressionantes, e suas várias plataformas de observação oferecem uma visão panorâmica inesquecível de toda região. É possível observar todas as principais montanhas da região serrana, como o cartão-postal do parque que é a formação rochosa chamada Dedo de Deus, com 1692 m de altitude, destacando-se ainda as formações como: Dedo de Nossa Senhora (1.320 m), Agulha do Diabo (2.050 m), Verruga do Frade (1.920 m), Pedra-Açu (2.245 m), Garrafão, Pedra da Cruz, Papudo, Morro de São Pedro, São João e outros.

Estávamos com sorte, pois avistamos bem longe a Baía de Guanabara, Niterói e até uma das sete maravilhas do mundo moderno “o Cristo Redentor”, fato que só pode ser observado em dias sem nuvens. Um verdadeiro espetáculo da natureza.

Depois de quase 1:00 hora ali, começou a ventar mais forte e o frio ficar mais intenso, iniciamos então nossa jornada de volta. Durante a caminhada você passará por trechos onde é possível ver a cidade de Teresópolis e as montanhas de Nova Friburgo, se o dia estiver ensolarado a vista é impressionante. Aliás, belas paisagens é o que não faltam nesta trilha.

A diversidade de fauna e flora é enorme no PNSO, e um detalhe interessante é a variação do tipo de vegetação que existe no início da trilha e aquela que você verá após passar dos dois mil metros de altitude. A floresta dá lugar a campos de altitude, uma paisagem com vegetação rasteira composta por arbustos, musgos e mato. Tudo muito mais baixo do que as enormes árvores encontradas no início da trilha.

A descida é sempre mais rápida que a subida e no nosso caso isso ocorreu basicamente devido a falta de luminosidade, o que nos obrigou a fazer apenas uma parada. È que o sol à tarde se esconde rapidamente atrás das montanhas, ocasionando uma escuridão precoce e só o Herbert levou lanterna, uma falha dos demais integrantes do grupo.

Enquanto o Diego e Biel deram uma adiantada para pegar o carro no Abrigo Paquequer, eu e o Herbert acompanhamos um grupo de jovens que ia a nossa frente. Grupo que conhecemos na subida.

A descida depois de certa hora virou um jogo de paciência, pois perto das 17:30, quando o sol já tinha se posto no horizonte, ficamos na penumbra,, quase na total escuridão, o que nos obrigou a ter mais cuidado onde pisávamos, pois estávamos exatamente no local onde tem mais pedras, ou seja, no inicio da trilha.

Um fato interessante foi que não senti aquelas caibras da subida, em compensação os joelhos nem é bom comentar, coisas de velho. O famoso Condor aqui, condor ali.

Ao chegar no fim da trilha, outra surpresa, o Diego e o Biel que se adiantaram para buscar o carro, não estavam no local, fomos encontrá-los praticamente na hora que estavam tirando o carro do estacionamento, coisas de jovens.

Voltamos para o Rio cansados, porém felizes com mais esta conquista.

Até a próxima.

Texto: Valdir Neves

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